quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Guilherme, 1 ano

Era uma quarta feira, 365 dias atrás, levantamos apressados as 6 da manhã, tudo arrumado, sim...tudo porque no dia anterior Dani sem mais nem menos rumou ao quarto recém terminado para arrumar as coisas do pequeno Guilherme. Fraldas, manta, fraldas, roupinhas, fraldas, saída de maternidade, fraldas, trocador, fraldas, abajur, brindes, bebê conforto....enfim, fraldas, achava que agora estaria tudo pronto, a qualquer momento ele poderia dar os sinais de que realmente estaria vindo de uma vez por todas. Esqueci de mencionar que 3 dias antes ele havia batido na trave, sabe aquela bola que bate na trave e vai por cima da linha do gol e não entra? Então....foi assim com o Guilherme no final de semana anterior, o danado já queria sair mas foi barrado pelo médico que estava a trabalho em outro município e não poderia atender naquele momento, ou seja, calma Guilherme que ainda não é para você sair. O dia previsto era 15 de agosto então ainda faltava um bom tempo, o médico falou, chegando em casa ao tomar a medicação prescrita e contar a história para minha mãe, lembro que ela disse: “mas é tempo de lua cheia, e ele é menino, meninos sempre se adiantam”. Nesse momento via o rosto de tensão de Dani. Ora, moramos em Santarém, terra de encantos dos Botos Tucuxi e Cor de Rosa, onde quem comanda a dança é a tal da lua cheia....logo pensei, lascou-se, ele virá mesmo a qualquer momento. Num pressentimento materno (coisa que nós homens jamais saberemos o que vem a ser) Dani, como já falei, rumou ao quarto para fazer as malas e naquela noite dormi (ou quase dormi) extremamente preocupado.

Dito e Feito, as 6 acordamos e ela já aguniada, pedindo para irmos ao hospital, o médico havia marcado um simples exame só pra ver como o bebê estaria, mas a Dani levou todas as malas. Lembro que o verão passado foi um dos mais quentes em Santarém e já fazia um bom tempo que não chovia na cidade e exatamente naquela manhã caiu um temporal sem tamanho, foi muita chuva e pensei comigo....é hoje!!!
Chegando no hospital, ainda sem muito acreditar que seria o dia, levei a Dani até o médico e ao se encontrarem no corredor, o mesmo pediu para Dani seguir para a sala de cirurgia, não dava mais para esperar, era o dia, era a hora, era o tão esperado momento. Naquele segundo a ficha caiu, vi Dani derramar suas lágrimas de alegria ao abraçar o médico, depositando ali toda a confiança a agradecimento. Sem mais nem menos, desapareceram com a minha mulher lá pra dentro e a enfermeira veio falar-me: “meu filho, vá dar entrada logo na internação e volte para entrar na sala de cirurgia e acompanhar o parto” Corri para adiantar essa parte e minha mãe sem saber o que estava acontecendo, perguntou: “é agora não é ?” sim falei, suba para o quarto para nos esperar e ore bastante por nós”. Esqueci de mencionar que durante todo esse tempo, em Belém, nossos parentes e amigos estavam me ligando e passando mensagens como transloucados, eu claro não atendia e nem respondia, estava nervoso demais e acabei deixando-os ainda mais apreensivos. 

Quarto arrumado, desci correndo para a sala de cirurgia, me preparei e fiquei esperando ali, imóvel, com a máquina de filmar ligada, os minutos pareciam intermináveis, milhares de pensamentos passavam pela minha cabeça sem rumo, todos entrelaçados e confusos, eu realmente não sabia o que fazer, o que esperar, com o que eu iria me deparar, como ele seria, como ele reagiria, como eu reagiria, enfim, eu estava numa salinha de espera 2x2 com o coração saindo pela boca. 7:50h o médico me chamou, ela já estava anestesiada e deitada na cama, aparelhos pelos lados, um pano verde cobrindo, anestesista ao lado dela com computador tocando um repertório dos anos 70, pra Dani não poderiam terem escolhido melhores músicas, parece até que haviam combinado, e enfermeiras espalhadas pelos 4 cantos do quarto. Segurei firme a câmera para não perder mais nada, olhei no relógio e eram 8:12, parecia que faltava pouco agora, ou não. 
Enquanto isso(não leia isso se você é fraco) o médico ia cortando devagar a barriga e o cheiro de carne queimada ía invadindo o quarto, quando de repente o médico solicitou ajuda da enfermeira, parecia que estava acontecendo alguma coisa fora do previsto: “faça força” disse ele pra Dani e também para a enfermeira. Coitada dessa próxima, ela era tão baixinha que precisava ficar em pé em cima de uma caixa pra alcançar a barriga da Dani. O médico havia constatado que Gui estava com o cordão enrolado quase 2x em volta dele, cuidadosamente ele tirou ou afastou o cordão ou sei lá como aliviou a pressão sobre o corpo do bebê e com a ajuda do anestesista rapidamente e finalmente tirou Gui de dentro da Dani, foram segundos intermináveis, olhei rapidamente no relógio, já com olhos cheios de lágrimas, eram 8:23 do dia 8 de Agosto de 2012, o pequeno Gui já respirava(e chorava) por si só e estava sendo limpo nesse momento, mostrado rapidamente para a mãe e numa rápida foto com os pais, Gui estava sendo levado para pesagem e avaliação do pediatra. Nesse momento em suas poucas forças Dani me puxou e disse: “Não perca o nosso filho de vista, acompanhe-os”. Seu pedido é uma ordem, esqueci de minha mulher e fui atrás do pequeno rebento que já estava na outra sala sendo avaliado. Tudo ok, disse o doutor, peso ótimo e perfeita saúde, vai mamar muito disse o doutor. Maldito doutor, o que ele viria a mamar, a comer e é claro a fazer uso das fraldas não está sendo fácil até hoje, parece aquele pássaro tem tem, vocês sabem, come e corre pro banheiro....

Enfim, chegando uma médica amiga de Dani, nos ajudou a vestir o pequeno padawan com sua roupinha e levar para o berçário. Nesse momento Dani já me esperava na maca do lado de fora do berçário, tremendo mais do que vara verde, devido anestesia. Iríamos já já subir ao quarto, Lá minha mãe esperava na sua eterna paciência de uma anciã. Lembrei do celular, mais de 78 mensagens, com a caixa já lotada, urrando para apagar umas 2 ou 3 mensagens para chegarem mais. Fui avisando de um por um da chegada do Guilherme e colocando em meu twitter pessoal e aqui no Face (rs) ou cara de livro como queiram. Chegamos ao quarto sãos e salvos, os 3 agora em família, eu Danielle e Guilherme Fontenelle Castello Branco, o tão esperando primeiro neto e sobrinho de ambas as famílias. A partir desse momento começaria uma nova vida, uma nova esperança, uma nova dor de cabeça, uma nova alegria para todos, até seu primeiro chorinho querendo leite, querendo colo, querendo amor....mas isso amigos são outras histórias. 


Feliz Aniversário meu filho, meu amor, minha vidinha, papai te ama eternamente

PS: quando a gente ouve o primeiro choro, é totalmente indescritível o que você pai sente em seu coração.